sexta-feira, 10 de maio de 2019

A importância de um limite



*Portões são limites impostos para sinalizar que aquela propriedade é de uma determinada pessoa, porém muitas pessoas forçam o limite (ladrões) e isso causa prejuízo. O limite serve como proteção*

Por toda minha vida, eu ouvi que eu tinha que dar limites às pessoas ou seria explorada. Durante minha terapia aprendi que não é possível "dar limites às pessoas", mas, sim "colocar limites em nós mesmos". O limite é para nós e não para o outro. Por exemplo, eu não gosto de ser tocada, abraçada ou beijada por alguém que eu não tenha intimidade e acho estranho as etiquetas de educação forçada, e esses limites são meus, portanto quando alguém vem fazer alguma coisa dessas e eu não tenho intimidade ou não gosto da pessoa, eu simplesmente levanto a mão em forma de "pare", ou não me aproximo dela, ou nem mesmo olho para ela, daí se a pessoa continuar insistindo, eu falarei um "não chega perto" bem furioso. Percebam que o tempo todo o limite foi meu e eu simplesmente o expus a outra pessoa, porque eu não posso impedi-la de querer chegar perto de mim, mas posso impedir que ela quebre meu limite pessoal.

E é isso. O limite é pessoal, individual e único. Você conhece os seus? Geralmente, não temos consciência de nossos limites porque existe essa ideia de conviver em sociedade, que funciona como uma espécie de contrato social forçado (afinal você não escolheu) e, entre as regras, existe ser educado, estar sempre disponível, ser uma "boa pessoa", etc etc. Isso tudo a gente aprende, mas esquecem de ensinar que cada pessoa é um mundo a parte e ninguém é igual a ninguém. Cada cérebro é diferente um do outro, portanto cada um faz o que pode com o que tem. Eu nasci com um cérebro cujo mecanismo de adaptação é ser extremamente desconfiada. Durante minha infância e adolescência, foi esse mecanismo que fez com que eu sobrevivesse em um ambiente completamente negligente e hostil. Eu não tive opção, e foi assim que fui me vendo cheia de limitações. Eu não conseguia ler algumas expressões faciais, eu não compreendia as etiquetas sociais e odiava que encostassem em mim, além de minha mente não conseguir distinguir a realidade da fantasia. Como eu não fui ensinada a impor limites, eu vivia tentando agradar a todos e isso apenas piorava o meu quadro. Eu vivia sobrecarregada, exausta e emocionalmente mais instável. Uma crise sem fim por não entender que eu não era e nunca seria igual as outras pessoas considerada "normais" (e isso não eram o fim do mundo!).

Há pouco tempo, meu psiquiatra me ensinou que "limite você impõe". Não é algo que possa ter alguma exceção, seu limite é para o seu próprio bem e se o outro não entende isso, então não vale a pena ter por perto.

Hoje em dia, essa coisa de limite é bem complicada, porque as redes sociais dão a impressão de que isso não existe. Porém, não é bem assim. Eu gosto de compartilhar minhas fotos no instagram porque acho uma forma de socializar, porém eu só mostro o que eu quero, assim como todo mundo. Quase ninguém está disposto a mostra suas vulnerabilidades, defeitos e a bagunça no quarto. Na internet a gente tem a ilusão de ter a vida perfeita, mas cada um só está mostrando o que acha que deve, e escondendo sua própria sombra por medo de ser julgado. Aqueles que, por ventura, se expõe um pouco mais, acabam caindo nessa sensação de não existir limite, pois seus seguidores acreditam que tem alguma afinidade ou intimidade e acham que podem julgar e exigir algum comportamento.  Mas sempre temos que expor nossos limites e ser fiel a eles mesmo custando uma amizade ou a perda de 1000 seguidores, pois os limites são nossos escudos protetores.

É claro que, viver em sociedade exige adaptação. Eu me adaptei a muitas coisas, e hoje aprendi as etiquetas e a "educação" e o blá blá blá, mas ainda não compreendi a motivação real delas, não fez sentido na minha mente, apesar de eu conseguir "funcionar" como alguém "normal". Eu não me encaixo, e não faço mais questão desde que aprendi que meus limites são para minha própria proteção, muitas vezes sendo questão de sobrevivência, portanto, eu não estou fazendo nada de errado ou "ruim", estou tentando sobreviver, e, como eu compreendi e explico meus limites às outras pessoas, a maioria costuma respeitar e gostar de mim da mesma forma. Ou seja, são essas pessoas que vocês devem manter por perto e não aquelas que forçam vocês a quebrar seus limites.

E vocês? Já pensaram sobre isso?





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