quinta-feira, 2 de maio de 2019

As vozes internas



Eu terminei de ler esse livro chamado "Voice Therapy" (Terapia da Voz, tradução livre) escrito pelo psicólogo Robert Firestone e é sobre o que ele chama de "vozes internas", uma voz interior que todos nós possuímos em forma de "pensamentos automáticos", e, geralmente são carregadas de autocrítica e desprezo contra si mesmo (por exemplo, quando você comete um erro e vem uma vozinha na sua cabeça dizendo "você não faz nada direito!"). Não devem ser confundidas com alucinações auditivas, pois estas são ouvidas externamente. As vozes internas são um fenômeno comum a todo ser humano e, segundo a teoria, provém da infância devido a introjeção das crenças dos pais e da forma como os mesmos criam seus filhos (muitas vezes com punição excessiva, exigências, abusos físicos, sexuais e, principalmente psicológicos). Não é escopo desse texto fazer uma resenha ou elaborar o assunto do livro, mas sim, provocar uma reflexão que, nesse caso, será sobre esses pensamentos de autocrítica e perfeccionismo. 

Com certeza, qualquer pessoa já cometeu um erro e logo vem aqueles pensamentos carregados de crítica. Algumas pessoas sofrem mais com isso. Eu sou uma delas, hoje em dia sofro bem menos do que antes, mas ainda é algo presente no meu dia a dia. Antigamente, quando eu cometia um erro qualquer, por menor que fosse, os pensamentos automáticos vinham sem permissão me dizendo o quanto eu era inútil e que jamais deveria tentar algo novo porque eu nunca conseguiria ter sucesso. Eu acreditava nesses pensamentos e isso (somando a um transtorno mental que possuo) fez com que eu ficasse paralisada por muitos anos. Eu até começava a fazer algumas coisas para mudar meu presente, mas esses pensamentos, com o tempo, conseguiam me convencer de que nada na minha vida mudaria porque eu sou um fracasso, diferente das outras pessoas que conseguem vencer na vida, eu nunca conseguiria, e nem merecia por ser "uma pessoa má". Eu acabava vendo somente os obstáculos das situações e, por isso, me mantinha na zona de conforto que, no fim das contas, não era confortável porque eu vivia um ciclo de sofrimento. 

No dia que li esse livro eu percebi que essas vozes internas nada mais eram do que fruto da minha criação exigente. Não estou apontando culpados. Odeio essas coisa de vítima. Eu acredito que minha família fez o melhor que pode com aquilo que conhecia. E minha mãe também sofreu o mesmo que eu na infância, então violência psicológica era tudo que ela conhecia. É importante dizer que os pais, em sua maioria, fazem essas coisas porque aprenderam e não porque odeiam seus filhos. Eles realmente acreditam que estão fazendo o melhor, mas uma vez que tomamos consciência dessas vozes herdadas do ambiente externo da infância, então adquirimos um poder maravilhoso chamado modificar a própria vida. É muito difícil ignorar a voz porque acreditamos que ela é nossa, nos identificamos com ela, mas pensamentos são apenas pensamentos. E você pode ignorar, ou, ao menos, tentar. E foi assim que eu comecei a tomar coragem de me arriscar. 

Desde os meus 14 anos, tenho muita vontade de escrever livros. Eu começava, mas nunca terminava porque o medo, em algum momento, me paralisava. Eu me achava indigna, inútil, e acreditava que ninguém se importava com o que eu falasse, que eu não passava de uma pessoa sem importância. Essas eram as vozes internas. E isso foi o que eu aprendi desde que nasci. Mas percebi que nada disso era absolutamente verdade e que essas vozes me impediam de viver plenamente. Se eu quisesse mesmo saber se eu era um fracasso ou não, deveria tentar, me arriscar. E é o que estou fazendo. Estou tentando lutar contra essas crenças enraizadas, tentando finalizar meus livros, e voltei a escrever um blog. Eu quero descobrir por mim mesma se eu realmente sou um fracasso, e não me arrepender de nunca ter tentado. É claro que eu ainda estou com medo, muito medo, mas decidi que isso não podia me impedir de seguir em frente. Eu lutei muito para sobreviver, não posso deixar essas vozes do passado me impedirem de viver minha vida e aqui estamos, indo em frente...

Vocês já se deram contas dessa vozes internas?... Conseguem identificar de onde elas vem?... Ou de quem elas vieram?... Acreditam que podem modificar isso?... Deixe sua opinião nos comentários ou reflita consigo mesmo. 



Um comentário:

  1. Fiquei com vontade de ler o livro, pena que é em inglês. Sobre as vozes internas alguns consideram a consciência, outros o ego, o problema é quando essa voz te auto sabota , te limitando.

    ResponderExcluir

QUALQUER COMENTÁRIO OFENSIVO, ABUSIVO, DEBOCHADO, TROLLS, HATERS SERÁ EXCLUÍDO / NÃO SERÁ APROVADO.

***Não reclamar, exceto se for construtivo***