terça-feira, 28 de maio de 2019

Sobre julgamentos



Se existe algo mais desagradável do que ser julgado ou julgar alguém eu desconheço, apesar de, muitas vezes, eu fazer isso (e fico me odiando depois). É claro que, com nosso cérebro social estamos fadados a julgar eventos, pessoas e a nós mesmos, porém, eu ainda acredito que sempre podemos fazer melhor. Eu não sou apenas meu cérebro, hormônios e emoções, eu sou uma coleção de experiências, um quebra-cabeça que eu mesma devo montar, não estou presa a minha constituição física ou mental. A gente sempre é mais do que pensa ser. 

Eu já fui muito julgada na minha vida - e acredito que todo mundo foi -  principalmente pelas coisas que eu falava ou escrevia. Esse já é meu quarto ou quinto blog, pois, sempre, uma hora ou outra eu acabo me afetando com o que falam sobre mim. A verdade é que a sociedade é bem exigente e egoísta. Todo mundo quer que sejamos perfeitos enquanto eles podem continuar cometendo os mesmos erros de sempre. Eu nunca achei isso justo. Eu me sinto presa em uma sociedade que condena erros, apesar do discurso bem elaborado de que "todo mundo erra". Uma sociedade que dificilmente perdoa, que prefere apontar o dedo e culpar o outro em vez de analisar a si mesmo. Eu já fui assim porque foi isso que me ensinaram na vida, mas quando você encontra o caminho para si mesmo percebe que nem tudo que é coletivo é bom, aliás muito pouca coisa o é. 


Hoje em dia o julgamento é muito comum por causa da internet e as redes sociais. É como se as pessoas precisassem expor suas opiniões. Uma necessidade básica, eu diria, mas a verdade é que, apesar de não existir nenhum problema em expor o que você pensa, você não precisa, muito menos se for para julgar outras pessoas. Mas vamos fazer uma distinção aqui: uma coisa é você estar em um fórum, comunidade ou página destinados a discussão (aqui você deve e pode julgar determinados assuntos), mas outra coisa é perfil pessoal ou páginas de entretenimento, aí você deveria pensar um pouco. Muitas pessoas, como eu, criam perfis e páginas para se distraírem de seus problemas, que geralmente são graves, eu, pelo menos, odeio me estressar com as opiniões rígidas, discussões, brigas e julgamentos na internet. Eu quero escapar da realidade por um momento, mas me sinto mais presa nela. Muitas vezes, essas pessoas estão passando por momentos difíceis, como a morte de um ente querido, problemas de saúde, crises de saúde mental, portanto seu "importantíssimo" julgamento disfarçado de "opinião" não seria de grande ajuda, pois a) pode deixar a pessoa se sentindo culpada ou b) pode afundá-la ainda mais na crise (tem gente que morre por causa dessas coisas). Na dúvida, não fale nada (exceto se o espaço for reservado para isso ou for algo contra você). Simples assim.

A sociedade ainda não entendeu o que significa empatia e é por isso que eu considero um super poder humano. Empatia não é meramente se colocar no lugar do outro, mas sim, por um breve momento, se sentir o outro, compartilhar de seus sentimentos e emoções. Eu não consigo ver aonde um julgamento entra nisso. Não devemos ser juízes da vida e da escolha do outro, mas sim, de nós mesmos. Porque o outro me incomoda? Porque eu tenho essa necessidade de falar o que penso o tempo todo? Porque eu não consigo dosar minhas palavras? Essas são as questões que devemos fazer a nós mesmos, sempre sobre nós e nunca sobre o outro. Cada pessoa é um mundo a parte, com sua história de vida, sua personalidade, seus defeitos e qualidades e suas escolhas pessoais. Eu tento não julgar, mas as vezes eu falho, e não me orgulho disso, não me sinto superior e nem acho que estou "certa". Do meu ponto de vista estou certa, mas do ponto de vista do outro ele está certo. Temos que exercer a tolerância uns com os outros e o mínimo de interferência na vida alheia (exceto se a pessoa estiver sendo abusiva ou machucando fisicamente outros - e ainda assim você não deveria julgar). 

Acima de tudo, você deve manter o seu auto respeito e jamais deixar que outras pessoas julguem suas escolhas, suas opiniões e seus erros. Não existe ninguém 100% perfeito, e somente essa pessoa teria o privilégio de julgar os outros (e eu acho que ela escolheria não fazê-lo). Um juiz é aquele que analisa as provas de todos os lados, raciocina e usa seu senso crítico para aplicar uma pena justa - ao menos, na teoria. Portanto, julgamentos baseados na nossa única opinião não estão tão certos assim, precisamos primeiro analisar o outro se queremos mesmo elaborar um julgamento ( e de novo, não estou condenando que você dê sua opinião sobre alguém, só quero provocar uma reflexão), eu tenho quase certeza que se você enxergar o outro como alguém igual a você, analisar a história e a experiência do outro, vai se sentir bem menos propenso a julgar, mas também não se martirize se o fizer, somos humanos, portanto não somos perfeitos. 








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