segunda-feira, 3 de junho de 2019

A robótica, a inteligência artificial e o ser humano

Imagem instagram @michelesbb

Eu recomendo muito a leitura de "Eu, Robô" (sim, aquele do filme), pois dá uma visualização bem realista de um futuro próximo da humanidade onde robôs se tornarão o centro de tudo. E, apesar de isso ser incrível do ponto de vista tecnológico e científico, qual seria o impacto disso no psicológico do ser humano? Se você acabou de chegar aqui saiba que a minha maior paixão da vida é a psicologia, por isso quase todas as postagens giram em torno da mente, do cérebro e dos comportamentos e, por eu acabar quase filosofando no assunto você pode sentir que está viajando junto comigo. A intenção é provocar uma reflexão em você. 

Eu acho incrível a evolução da tecnologia de quando eu era pequena até hoje, foi tudo tão rápido que nem parece real. Eu quase não consigo crer que existem robôs parecidos com seres humanos inclusive na forma como eles aprendem, a tal da learning machine que até hoje que não entendi direito parece ter vindo para ficar. Mas, se a inteligência artificial promete facilitar a vida do ser humano inclusive tomando-lhe algumas funções, qual seria o impacto em nosso psicológico? Eu não preciso ser psicóloga, nem psiquiatra para imaginar que não será tão simples.  

Certa vez, eu assisti a um documentário na Netflix chamado Dark Web (Rede Sombria) onde tinha uma família de japoneses (eu acho) que comprou um robô. Na verdade, o robô era uma espécie de melhor amigo, principalmente da mãe. Ela passava quase vinte e quatro horas ao lado dele e mesmo sendo casada e tendo filhos todos pareciam emocionalmente distantes uns dos outros, preferindo a tecnologia ao contato humano. Parece que, com tanta tecnologia que distrai, o ser humano tende ao comportamento de evitação. O que estamos evitando? Eu arrisco dizer que evitamos a nós mesmos, nossa finitude e, consequentemente, os outros. Se você for analisar profundamente o outro não passa de um espelho para nós, e não gostamos de ver nossos defeitos, sombras e traços repugnantes, e muito menos gostamos de lembrar que vamos morrer. É preferível fugir destas questões que tentar compreendê-las. Eu não acredito que isso seja nossa culpa. A tecnologia evoluiu muito mais rápido do que nossos cérebros possam acompanhar. Nós sabemos muito sobre muitas coisas exceto sobre nós mesmos porque não somos incentivados a fazer isso. Parece algo estranho e sem sentido, mas tudo começa quando sabemos quem somos, quais nossos defeitos e qualidades, e principalmente nossos valores. Sem isso, tendemos a evitar qualquer sentimento e interação social. 

Eu percebo isso com o celular, para mim, ele se tornou quase uma extensão do meu braço, e para onde eu vou eu o carrego comigo. Um dia decidi prestar atenção e percebi que eu usava o celular para evitar contato visual, conversas e me distrair dos meus próprios pensamentos e sentimentos - que geralmente são intensos e confusos. Aquilo me distanciava de mim mesma e das outras pessoas. Mas quase ninguém parece perceber isso. E vejo muitas pessoas sentadas em mesas que, em vez de conversarem entre si preferem ficar olhando o celular. A tecnologia é algo brilhante, feita para facilitar e melhorar nossas vidas, mas sem equilíbrio e autoconhecimento ela acaba nos "escravizando".

Pelos noticiários acompanhamos a cada semana uma evolução diferente da robótica. Robôs capazes de aprender com o ser humano, robôs que irão substituir o ser humano em algumas funções e até mesmo robôs feitos para ter um relacionamento com as pessoas (amor, amizade, etc). Isso traz uma série de emoções a tona como medo, raiva, preconceito, admiração, negação. Algumas pessoas acreditam que a robótica pode salvar o mundo, mas quem salva o ser humano dele próprio? Ser substituído por uma máquina pode emergir sentimentos fortes como rejeição, abandono e até mesmo inutilidade, por outro lado, haverá uma forte dependência do homem com a máquina onde não conseguirá fazer nada ou quase nada sem ajuda de uma delas, isso leva a maior isolamento para consigo mesmo e com outros. Será que o futuro do ser humano é se tornar uma ilha? 

Além disso, existe um dilema psicológico envolvendo tudo isso. Se a máquina aprende com o ser humano, lhe toma funções e se torna superior ao homem...será que isso não traria a tona uma grave crise existencial coletiva?

Eu não estou dizendo que sou contra a evolução da robótica, eu sou muito a favor, porque a vida do ser humano tem de ser facilitada, porém isso deveria ser feito com bastante cuidado do ponto de vista psicológico, para não prejudicar tanto as relações humanas como já tem sido. E você o que acha? 

 




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